Judite Lopes Trudes

Relatos do passado e vida na roça | Data da entrevista: 20 de maio de 2015 | 30 visualizações

Transcrição da Entrevista

O Trabalho e a Vida na Roça

E vivia-se dessa vida. Os homens viviam da pesca, a gente vivia da roça, de plantar. Tudo aqui tinha, mandioca, arroz, tudo essas coisas vinha na roça. Era bom, era gostoso. Muito gostoso. Que bom se voltasse a vida da gente naquele... que nem aquele tempo.

Aqui não tinha nada pra fazer porque não tinha serviço, não tinha nada. Nós trabalhava mais... trabalhava na roça, né. Chama-se de roça onde nós trabalhava no tempo que nós era moça. Que o lugar era um lugar muito... muito assim... que não tinha nada pra... não tinha nada pra pessoa fazer pra se empregar, né.

Depois a gente casou, continuou, meu filho, a mesma vida.

As Brincadeiras de Infância

As nossas brincadeira que nós tinha era uma menina com outra brincando assim de boneca, dessas coisas, né? A gente brincava. Brincava muito com sua tia, finada... finada Alda. Brincava muito.

Nós brincava, não só eu, tudo... tudo as mocinhas, tudo as meninas... se reunia tudo, ia brincar lá perto da casa do seu avô, de finado... lá perto da casa de Anita que era a casa do finado pai dela, finado Mané Barbosa, a gente brincava lá.

A Estrutura e a Simplicidade da Época

Era bom... nessa época aqui era... não tinha luz, não tinha água encanada, não tinha nada, mas nós era um... uma vida muito feliz. Melhor do que... melhor não, porque agora melhorou mais né... porque aquele tempo a gente vivia mais bendizer na pobreza.

Naquele tempo não tinha aposentadoria, ninguém tinha nada. Meus pais morreram sem aposentadoria.

Os Bailes e o Respeito

Pois era baile... baile era... baile de viola, rabeca, né. Rabeca, cavaquinho que eles tocavam. E a gente que era moça ia no baile e dançava. Minha mãe deixava eu ir. Nós ir. Depois de casada a gente ia também.

Ah, todos dançavam. Era moço, era moça... era tudo... tudo dançavam. Era homem casado, era... era tudo... era uma coisa que... era uma coisa de respeito. Era bom. Era muito bom... e...

Melhor do que agora, melhor que agora... os bailes, essas coisas... esses divertimentos que nem carnaval. Essas coisas era muito bom.

O Carnaval e os Mascarados

Carnaval era às vezes assim que... de baile também nas casas né... baile nas casas, que dançavam... faziam baile numa casa, depois passavam pra outra casa.

Os mascarados eram os meninos que se vestiam de mascarados né. Faziam aquela... aquele mascarado... aquela coisa... e saíam.

As Histórias de Assombração

Meu pai é que via essa assombração né. Pior que ele via nesses... quando andavam por esses caminhos. Que ele vinha de Iguape a pé pra cá, ele via naquele morro da paixão. Via as coisas lá... Chegava em casa contando que ele andava sempre de noite. Meu pai andava à noite.

Falavam disque que ele via aquelas... aqueles homens, aquelas visagens, aquelas mulheres... passava por perto dele. Ele conta... Mas às vezes ele estava bêbado, né? A gente quase não acreditava no falar dele. Porque ele estava bêbado.

O Caminho para Iguape

Ahh, saía aqui do porto, da prancha, que nós falava que era a prancha de compadre Júlio, finado Júlio Barbosa, né? Daí ia de motor pra Iguape e depois de lá vinha e parava aqui no mesmo, no mesmo... lugar onde a gente saía, parava. Pra ir em Iguape fazer compra, trazer as compras e vinha, saía aí.

Aí nessa estrada, que não era estrada naquele tempo, era caminho. Tinha mato demais. Tinha uma lancha também... uma lancha que levava... uma lancha grande que levava o pessoal e trazia.

As Saudades da Vida e dos Entes Queridos

Ah meu filho, sinto saudade de tudo. Sinto saudade da... de... de quando eu trabalhava na roça, que ia pra roça, tudo bom, com saúde. Da plantação do arroz que a gente colhia neste tempo, nesse mês de maio, abril, que a gente colhia arroz. A gente tem saudade daquilo, que já passou.

A gente sente muita saudade. Eu tenho saudade do meu marido que já Deus levou há muitos anos. Que a gente viveu uma vida muito... muito boa, graças a Deus... criamos nossos filhos. Os filhos tudo contente, alegre e contente. A gente tem saudade desses uns que já faleceram, que a pessoa... que a pessoa conviveu junto, tenho saudade do meu genro. A gente sente saudade, meu filho, desses entes queridos que já Deus levou. Muita coisa a gente sente saudade.

A Identidade e o Tempo de Escola

Tudo me conhece por Benedita, né? Mas o meu nome mesmo é Judite Lopes Trudes. 90, dia 8 de maio agora.

Nós era bastante aluno. Aluno e aluna. Que Aristides, o marido de Idalina também tava conosco, Eliseu, tava Isabel, tava Gonzaga, tava Alda também... tava junto comigo. Anita, a vó dele já tinha saído. Mas era bastante aluna de... aluna e aluno. A gente entrava na escola assim... criança né... já alcançava esses uns que já eram mais de idade.

A gente se vestia de... de assim... de coisa na escola, né? Eu me vestia... um dia me vesti de homem e tocava um cavaquinho...

— Ah, se tivesse foto daquele tempo...

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